crédito: autosport.com
A foto acima, mais do que retratar o lance da corrida, mostra o que foi a corrida. Apenas isso. Depois disso - não sei se inspirados pela visita do Papa ao Brasil - os pilotos nos proporcionaram uma verdadeira procissão. Na corrida inteira houve apenas duas ultrapassagens, das quais vimos uma (se eu estiver equivocado corrijam-me, por favor) - de Jarno Trulli sobre Adrian Sutil, que só aconteceu devido a um problema no carro da Toyota antes da largada, obrigando o italiano a largar dos boxes.
O que todos dizem é que as corridas são monótonas em Barcelona pelo fato de o circuito catalão ser utilizado à exaustão por todas as equipes - é o palco principal dos testes da pré-temporada, todos os anos. Os pilotos conhecem cada milímetro da pista, os engenheiros têm todas as informações possíveis sobre o comportamento dos carros em qualquer situação: calor, frio, chuva, seco... Sou contra a realização de testes - antes, durante e após a temporada - em circuitos que façam parte do campeonato. Mas não é só isso.
As ultrapassagens são raras na F1 dos dias atuais por causa da excessiva dependência aerodinâmica dos carros, não permitindo que andem próximos, principalmente em curvas. Isso foi visto no último domingo. Num determinado momento da prova, foi mostrada a disputa entre Rubens Barrichello e Giancarlo Fisichella através da câmera on-board instalada no carro da Renault. "Fisico" contornava a curva próximo demais do brasileiro quando repentinamente perdeu a frente de seu carro, tendo que tirar o pé do acelerador para não sair da pista. É exatamente o que acontece.
Os homens que comandam essa brincadeira (Max Mosley e cia.) precisam se preocupar com isso. Não sou um expert no assunto, mas algo deve ser feito. Pelo que soube as corridas da GP2 na mesma pista de Barcelona foram bem movimentadas. Se não me engano Lito Cavalcanti, comentarista do Sportv, disse durante a etapa da GP2 no Bahrein que os novos carros da categoria foram projetados para não dependerem tanto da aerodinâmica, facilitando as ultrapassagens. Se algo do tipo foi feito lá, por que não seguir a receita?
Bem, voltemos à corrida... o único momento digno de algum comentário foi a disputa entre Felipe Massa e Fernando Alonso na primeira curva, logo após a largada. Disputa limpa, apesar do toque e das reclamações do espanhol, que agora pensará duas vezes antes de dividir uma curva com o brasileiro.
E após quatro provas Lewis Hamilton lidera o campeonato, sem vencer nenhuma corrida... Méritos para o novato, mas esse sistema de pontuação é injusto na minha opinião.
Não há mais nada a comentar? Não... Vamos aos destaques positivos (se é possível dizer isso) e negativos:
Destaques positivos:
- Felipe Massa: agressivo e eficiente. Deu seu "cartão de visita" para Alonso e depois seguiu com tranqüilidade para mais uma vitória. Obteve mais um hat trick. Final de semana perfeito para o brasiliero.
- "Tio" David: apesar de ter sido beneficiado pelos abandonos de Raikkonen e Heidfeld, suportou muito bem os ataques de Kovalainen e Rosberg.
- Takuma "Saturno": excelente! conseguiu manter Fisichella atrás e obteve o primeiro ponto para a Super Aguri. Só pela conquista do ponto já mereceria estar aqui.
Destaques negativos:
- Fernando Alonso: a dividida com Massa diminuiu o ímpeto do espanhol que, mesmo diante de sua torcida, fez uma prova burocrática. Será que é o "efeito Hamilton"?
- Kimi "Geladeira" Raikkonen: superado por Hamilton na largada, não teve culpa pela quebra de seu bólido. Ir embora do autódromo antes do fim da corrida demonstra quanto o finlandês se importa com alguém que não seja o cara que ele vê quando está na frente de um espelho. Não é assim que ele conquistará o respeito da equipe.
2 comentários:
Que ótima redação e excelentes observações, Gabriel!
KKKKK, procissão em Barcelona foi legal, em dia de missa de papa no Brasil, caiu a calhar.
Depois diz que não tem criatividade pra titulos...Forte este, adorei.
Ron Groo
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