quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Eu e Interlagos
7 de setembro de 2011. Um dia ensolarado - pela manhã, calor; à tarde, nem tanto. Um dia especial.
Não, não falo do "independência ou morte". Falo da realização de um sonho, do meu sonho.
Estava marcado para 16h30. A ansiedade tomava conta de mim desde que cheguei ao local, mais de duas horas e meia antes do horário marcado. Pensava em um monte de bobagens, que não daria certo. Talvez por ter visto de perto um "quase desastre" durante o período em que aguardava a minha vez.
A Gabriela - sempre ela - estava junto comigo. E me ajudava a não perder o controle. Estava linda, como sempre. Ficou ao meu lado enquanto foi possível e pôde ver o momento no qual eu recebi a balaclava (é assim que se escreve? se estiver errado, ajudem-me.) e o capacete. Ela, conhecendo-me tão bem quanto minha mãe, conseguia ver o brilho nos meus olhos e perceber a felicidade que eu sentia.
Ingresso e habilitação conferidos, tudo ok. Fui então para o carro. Creiam, não importa qual era o carro, tanto que não vou mencioná-lo aqui. Conheci o instrutor, o tal Bernardo. Mal sabia ele - e provavelmente nunca saberá - a importância daquele momento.
Configurei o banco como me ensinaram no "briefing", ajustei os retrovisores, coloquei o cinto. Era a hora de partir. Engatei a primeira, atrapalhei-me um pouco com a embreagem - nunca tinha dirigido aquele carro e estava nervoso, considerem isso - mas consegui conduzir o veículo até o final dos boxes, onde parei para aguardar a autorização para "largar".
A autorização enfim foi dada. Saí muito, mas muito devagar - não me perguntem o porquê, nem eu sei. Bernardo começou, então, a me dizer o nome das curvas. Como se fosse necessário... Claro que ele não tinha a obrigação de saber e não o interrompi por educação. No fim das contas, se querem saber, eu mal o escutava. Estava tão encantado e focado que qualquer coisa que ele dissesse não me faria sair daquele "transe".
Comecei a acelerar. Lembram-se de eu ter saído dos boxes devagar? Foi essencial para eu poder apreciar cada milésimo de segundo e cada metro daqueles 4.309 metros durante as 3 voltas. Uma leve saidinha de frente na "Curva do Lago", o carro "grudando" no chão no "mergulho", acelerador "cravado" desde a saída da "Junção"... Nada que eu escrever aqui será suficientemente bom para descrever tudo o que senti naquele dia.
Quando saí do carro, na solitária caminhada até o local em que teria que devolver o capacete, lembrei-me de minha infância e do sonho de ser piloto. Dar aquelas 3 voltas me deu a certeza de que seria muito feliz fazendo aquilo (se pudesse, ficaria andando naquela pista até acabar a gasolina). As lágrimas ameaçaram descer pelo meu rosto. Mas "engoli" o choro, com vergonha. Fui um idiota, em resumo. Arrependo-me por não ter deixado a emoção tomar conta daquele momento.
Depois de tantos anos sonhando - e muitas vezes pensei que ficaria só no sonho -, finalmente aconteceu o encontro tão esperado por mim. Não sei o que você achou, Interlagos. Mas tenho uma coisa a dizer:
"Você é espetacular, exatamente como eu imaginava. Inesquecível."
Obrigado, Interlagos. Nos vemos em breve.
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